segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Homilia Dominical - XVIII Domingo do Tempo Comum

Pelo Prior da Paróquia de Santa Maria de Belém
Sr. Cónego José Manuel dos Santos Ferreira

Crescimento na fé
No início do Evangelho de hoje há uma pergunta espontânea que reflecte a admiração de um grupo de pessoas que encontram Jesus em Cafarnaum sem o esperar: "Mestre, quando chegaste aqui?"
Não tinham visto Jesus partir do local da multiplicação dos pães, e agora já O encontram do outro lado do mar... Como é evidente, não sabem que Jesus andou sobre as águas, e, já noite escura, foi ao encontro dos discípulos, que tinham enfrentado uma forte ventania e um mar muito agitado, e com eles chegou a terra, logo depois, com toda a paz (João 6,16-21).

É interessante que aquelas pessoas começam por tratar Jesus como «Mestre», mas, no final, quando Lhe fazem um último pedido, já o tratam como «Senhor»: "Senhor, dá-nos sempre desse pão". Este pormenor revela um acentuado crescimento na fé. Todo o Evangelho de hoje está percorrido por este dinamismo de crescimento na fé. Deus queira que este crescimento na fé também aconteça connosco!
Jesus, com toda a delicadeza e paciência, conduz aquelas pessoas para uma fé mais pura e mais perfeita.
Primeiro, só pensam no alimento que receberam, o pão com que saciaram a fome; depois, começam a senti-lo com um milagre, como um dom do poder e do amor de Jesus; a seguir passam a interessar-se mais por Aquele que o dá, "o Filho do homem", Jesus. E finalmente são convidados a reconhecer que o supremo dom, aquele de que todos mais necessitamos, mais do que tudo, é o próprio Jesus: "O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo".
Temos que ser capazes de passar do dom para o Autor do dom, para o próprio Doador; da maravilha deste mundo para a Inteligência e Bondade divina que O criou. Senão, caímos na idolatria deste mundo, que se torna opaco, e não luminoso e transparente, como devia ser.
É neste sentido que se podem também entender estas palavras de Jesus: "Trabalhai, não tanto pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna".
Empenhamo-nos só naquilo que é passageiro, ou também naquilo que permanece para sempre em Deus, no tempo de Deus, que é a vida eterna?
Depois de escutar estas palavras de Jesus, a multidão perguntou-Lhe: "Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?" E então Jesus respondeu-lhes: "A obra de Deus consiste em acreditar n'Aquele que Ele enviou".
Então a fé é obra de Deus? Sim, é obra de Deus em nós, à qual correspondem, com toda a liberdade, a nossa inteligência e a nossa vontade. A fé, que é obra de Deus, é também um acto livre do homem. Na fé, a graça e a liberdade harmonizam-se de um modo misterioso mas muito belo, num acto que é totalmente de Deus e também totalmente nosso.
Que Deus aumente a nossa fé, mediante uma graça mais intensa, à qual não queremos resistir, mas que queremos aceitar com amor, num compromisso pleno da nossa liberdade e da nossa vontade.
Por fim, Jesus apresenta-Se a Si mesmo como "o pão da vida", e acrescenta: "Quem vem a Mim, nunca mais terá fome, e quem acredita em Mim, nunca mais terá sede". Estas palavras significam que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, corresponde totalmente aos desejos e expectativas do ser humano, que n'Ele encontra a luz, a força, a verdade, o sentido e a alegria que procura.
Tudo quanto o homem deseja, encontra-o em Jesus Cristo, mas depois não fica 'satisfeito', como se não precisasse de nada mais; pelo contrário, deseja crescer cada vez mais na intimidade com Ele.
Para matar a nossa fome e a nossa sede, Jesus irá também fazer-Se "pão vivo" na Eucaristia, como anunciará um pouco mais tarde aos seus ouvintes.
Que o nosso desejo de O receber neste Pão santíssimo cresça cada vez mais, sabendo que é o próprio Jesus que acende em nós esse desejo. ao qual queremos corresponder com toda a força do nosso amor e da nossa fé.

Fonte: Paróquia de Santa Maria de Belém

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